As Boas Mulheres da China, de Xinran

18:30:00


"Eu achava que compreendia as chinesas. Lendo as cartas, percebi como estava enganada. Elas viviam uma vida e enfrentavam problemas com que eu nem sequer sonhara." (Pág. 15)

Xinran é uma jornalista e escritora chinesa que, durante oito anos, apresentou um programa de rádio denominado "Palavras na brisa noturna", no qual inicialmente abordava aspectos do cotidiano, visando sugerir para seus espectadores maneiras de lidar com as dificuldades da vida, e aos poucos passou a compartilhar depoimentos de mulheres que ela entrevistou com o objetivo de entender a situação feminina na China.

Após receber uma denúncia de que uma garota de doze anos havia sido comprada por um idoso de sessenta em uma aldeia e amarrada por ele com correntes de ferro para que ela não fugisse, Xinran percebeu que, apesar de fazer parte desse grupo, não conhecia a realidade de grande parte das mulheres chinesas. Ao tentar fazer algo em relação à situação dessa jovem e ser informada pela polícia de que a lei não tem poder no interior, por isso não poderiam tomar uma atitude, a jornalista passou a se questionar qual o valor da vida de uma mulher no seu país.


Angustiante e sofrido, As Boas Mulheres da China dá voz a uma classe oprimida e esquecida pelo restante do mundo. A luta pela igualdade entre os gêneros apresenta diferentes necessidades de acordo com o contexto de cada comunidade e, apesar de bastante conhecida,  parece não existir no território chinês. Durante essa leitura é possível enxergar diferenças entre os problemas enfrentados pelo sexo feminino no Ocidente e no Oriente, por mais que em ambas as regiões esse grupo seja tratado de maneira inferior em relação ao sexo masculino. 

Cada capítulo contém a história de uma mulher e, apesar de algumas delas possuírem elementos semelhantes, principalmente o abuso sexual, cada entrevistada é única. A trajetória dessas mulheres foi muito influenciada pela questão política, algo extremamente marcante no desenvolvimento da sociedade chinesa, e a maneira como isso se deu é bastante chocante. É difícil acreditar em como as pessoas se apegam à doutrinas e princípios impostos e acabam deixando de lado a sua humanidade, sua estima pelo próximo. 

A obra retrata desde a vida de uma jovem que não teve o amor que necessitava da família e acabou encontrando afeto através de uma mosca, até a existência de uma aldeia na colina dos Gritos, onde as mulheres parecem não ter ideia de coisas básicas da sociedade moderna e apesar de tudo aparentam ser felizes. Alguns relatos me marcaram mais do que outros, mas todos me fizeram pensar bastante e me deixaram aflita por saber que a comunidade chinesa ainda está muito longe de um tratamento igualitário entre os gêneros, além do fato de que a situação desse país é desconhecida por boa parte do mundo. Sem dúvidas, As Boas Mulheres da China é um livro que eu recomendo e acredito que precisa ser lido.

"Segui em frente sim, mas no fundo não tive coragem. Sou uma dessas pessoas que são fortes na frente dos outros, uma fortaleza entre as mulheres, mas quando estou sozinha, choro a noite inteira - pela minha filha, pelo meu marido, pelo meu filho e por mim. Às vezes não consigo respirar, tamanha é a saudade que sinto deles. Há quem diga que o tempo cura tudo. A mim não curou." (Pág. 95)



Minha Estante #71
Título: As Boas Mulheres da China
Autor (a): Xinran
Páginas: 256
Editora: Companhia das Letras
Nota: 5/5
Onde comprar: Amazon | Americanas | Saraiva | Submarino 

Livro representante da China para o projeto Lendo o Mundo


Já leram As Boas Mulheres da China ou algo sobre a comunidade chinesa? Me contem nos comentários!
Beijos e até o próximo post!

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